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Borbulhas – dia 34

Borbulhas Crônica - Amendoin Doce

Assim como uma orquestra começa a tocar suavemente, o fogo abaixo da panela começa a esquentar a água, o açúcar e o amendoim que estão no seu interior. Aos poucos, tímidas borbulhas começam a surgir e trazem certo agito para os amendoins que estavam a repousar tranquilamente na água.
O fogo é incessante e isso não permite que o sossego retorne. Pelo contrário, agita cada vez mais as moléculas aquecidas da água que começam a se misturar às do açúcar. O tempo começa ouvir as vozes inquietas das crianças que querem saber quando a comida ficará pronta e a curiosidade que não quer calar para saber se elas vão gostar. É, tempo, você vai passar, a água secará e em breve elas poderão provar. Enquanto isso, sossega-te, porque as crianças ninguém consegue fazer se acalmar.
Borbulhas intensas surgem, a água passa a ter cor de vinho, aroma forte penetra no ar. Tem cheiro de pipoca grita uma criança salivante. O Tempo apenas sorri e pensa que ela precisa conhecer o sabor doce que esse amendoim pode lhe proporcionar, porque como esse não há outro igual.
O tic-tac do relógio continua sem parar, as tagarelas crianças nem percebem que os amendoins ficam cada vez mais unidos, quase não há mais água e um farelo roxo começa grudar as oleaginosas entre si. Fogo pode se apagar, já fez muito pela nova receita que o Tempo inventa quando tem tempo. Agora é esticar os amendoins doces sobre uma forma para que possam finalmente descansar. Mas, Tempo, é hora de uma história contar para as crianças entreter enquanto o amendoim vai esfriar.
Aninhadas entre cobertores e travesseiros, as tagarelas crianças pegam um livro da prateleira, devagarzinho elas começam a bocejar e sonolentas ficar. Olhinhos pesados começam a se fechar, o tempo por hoje já as cansou.
Tempo apaga a luz, ao sorrir fecha seus olhos em paz e mais um dia terminou. Ah, mas espere! O sol voltará a brilhar e o tic-tac do relógio não pode parar. O fogo aqueceu a panela e algo novo se fez. O tempo passou e mais dia findou. As crianças terão amendoim doce e mais uma vez poderão ouvir as borbulhas de um novo dia. Tempo, o que será que ele consigo trará?

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Diário de uma mãe em quarentena
1. O dia que parecia que não tinha fim – dia 12
2. A sociedade que não existirá mais – dia 13
3. Uma tempestade em dia de sol — dia 14
4. Nada como um dia após o outro – dia 15
5. Home school: desafio imposto pelo coronavírus – dia 16
6. O renovo de um abraço – dia 17
7. Como dispensar o tédio na quarentena? – dia 18
8. O motivo que nos fez sair de casa: vitamina D – dia 19
9. As dores do ócio na quarentena – dia 20
10. Uma arca chamada casa – dia 21
11. Esperança por dias melhores e a Páscoa – dia 22
12. Tradição que marcou a história da humanidade – dia 23
13. Profundas reflexões ou pirações de uma mãe em quarentena! – dia 24
14. Páscoa em família durante a quarentena – dia 26
15. Segunda-feira nossa de cada semana – dia 27
16. Quando circunstâncias preocupantes invadem a mente – dia 28
17. A loucura virou rotina com o vírus chinês – dia 29
18. 30 dias em quarentena e um novo normal – dia 30
19. As respostas que ninguém tem – dia 31
20. É possível se sentir livre e leve dentro de casa? – dia 32
21. A privação da liberdade não acabou – dia 33
22. Borbulhas – dia 34
23. Vassoura em busca do sindicato – dia 35
24. Aulas práticas de química na maternidade – dia 36
25. Jejum de palavras negativas – dia 37
26. Coisas simples da vida que fazem a diferença – dia 38
27. O olhar da janela: o que ele comunica para você? — dia 39
28. Quarenta dias de um diário de uma mãe em quarentena – dia 40
29. Paciência: a palavra da quarentena – dia 41
30. A brevidade dos nossos dias – dia 42
31. Dias e dias: os altos e baixos da quarentena – dia 44
32. Senhor avestruz e sua cara de paisagem – dia 48
33. Um dia exclusivo para as meninas – dia 53
34. Dia das Mães na quarentena – dia 54
35. Quando a falta de perspectiva bate na porta – dia 55
36. Desistir ou não, eis a questão? – dia 56
37. Detalhes contém um grande significado – dia 57
38. Peço licença para um pequeno desabafo – dia 58
39. Mozart e o poder do foco – dia 59
40. Sessenta dias em quarentena – dia 60

Borbulhas é o primeiro texto que escrevi no estilo crônica. Passa no meu 20 e me conta o que achou!

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