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Reflexo de ejeção disfórica do leite (D-MER), o que é?

Reflexo de ejeção disfórica do leite (D-MER), o que é- blog mamae cia

Você já sentiu uma onda repentina de tristeza, ansiedade ou até irritação logo nos primeiros segundos em que o bebê começa a sugar? Se a resposta for sim, saiba que você pode estar experienciando o Reflexo de Ejeção Disfórica do Leite (D-MER). Esse fenômeno não tem relação com a depressão pós-parto ou com a falta de amor pelo seu filho, ou seja, é uma reação biológica do seu corpo que acontece no momento da descida do leite.

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Muitas mães de primeira viagem e gestantes vivem esse momento com uma culpa silenciosa. Elas acreditam que a angústia sentida durante a amamentação é um sinal de que não “nasceram para ser mães”. No entanto, a ciência moderna, liderada por pesquisadoras como Alia Macrina Heise, esclarece que o D-MER é estritamente fisiológico e hormonal.

Por que o D-MER acontece? (A explicação científica)

Para entender o Reflexo de Ejeção Disfórica do Leite (D-MER), precisamos olhar para a complexa dança dos hormônios durante o aleitamento. Quando o bebê estimula o mamilo ou quando a mãe ouve o choro do bebê (estimulando o reflexo de descida), o corpo libera ocitocina.

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Para que a prolactina — o hormônio que produz o leite — possa atuar, os níveis de dopamina precisam cair. A dopamina é um neurotransmissor responsável pelas sensações de prazer, motivação e estabilidade emocional.

Em uma amamentação típica, essa queda de dopamina é sutil e imperceptível. Porém, nas mulheres que apresentam o Reflexo de Ejeção Disfórica do Leite (D-MER), a dopamina cai de forma abrupta e excessiva. Como o cérebro fica momentaneamente “desprovido” desse hormônio do bem-estar, a mãe sente uma disforia (um mal-estar emocional intenso). Assim que o reflexo de descida estabiliza e o leite flui, a dopamina volta aos níveis normais e a sensação ruim desaparece, geralmente em menos de cinco minutos.

Principais sintomas: Como identificar o D-MER?

É comum que gestantes tenham medo de não conseguir amamentar por causa de dores físicas ou fissuras, mas o D-MER traz um desconforto exclusivamente emocional e involuntário. Os sinais relatados variam em intensidade, sendo classificados como leves, moderados ou graves. Os mais comuns são:

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  1. Sensações Gástricas: Um “frio no estômago” ou náusea súbita assim que o leite “desce”.

  2. Manifestações Emocionais: Tristeza profunda, sentimentos de desesperança ou melancolia.

  3. Irritabilidade: Uma sensação de “agitação” ou o desejo de afastar o bebê por alguns instantes.

  4. Ansiedade: Palpitações ou uma sensação de pânico iminente que some tão rápido quanto surgiu.

D-MER vs. Depressão Pós-Parto (DPP)

É fundamental diferenciar as duas condições para evitar tratamentos equivocados. Enquanto a Depressão Pós-Parto é um estado persistente de tristeza e desânimo que permeia todo o dia da mulher, o Reflexo de Ejeção Disfórica do Leite (D-MER) é um evento pontual. Ele tem hora para começar (estímulo da mama) e hora para acabar (fim da descida do leite). Se você se sente bem durante o resto do dia, mas “muda o humor” apenas ao amamentar, as chances de ser D-MER são altíssimas.

O D-MER impede a amamentação?

A maior preocupação de mães de primeira viagem é se esse reflexo impedirá o aleitamento e o desenvolvimento do bebê. A boa notícia é que o Reflexo de Ejeção Disfórica do Leite (D-MER) não afeta a qualidade ou a quantidade da produção de leite.

O maior desafio aqui é o psicológico e a manutenção do desejo de amamentar. Muitas mães desistem precocemente por acharem que estão sofrendo de rejeição materna ou que não possuem o chamado “instinto”. Quando a mulher recebe o diagnóstico correto, a taxa de sucesso na amamentação sobe drasticamente, pois ela entende que é apenas o seu corpo reagindo a um mecanismo hormonal.

Estratégias práticas para lidar com o reflexo

Embora não exista um protocolo de medicamentos padrão (em casos graves, alguns médicos avaliam inibidores de recaptação de dopamina, mas é raro), o manejo clínico baseado em evidências foca no bem-estar da mãe:

  • O Poder do Reconhecimento: Saber que o que você sente tem nome e base científica é o tratamento número um. O alívio da culpa ajuda o cérebro a processar a onda de disforia com mais calma.

  • Hidratação Severa: Manter-se muito bem hidratada parece suavizar a intensidade da queda hormonal para algumas mulheres.

  • Técnicas de Respiração: Praticar a respiração quadrada (inspirar, segurar, expirar e manter o pulmão vazio em tempos iguais) durante os primeiros 2 minutos da mamada ajuda a controlar a resposta de luta ou fuga do corpo.

  • Evitar Cafeína em Excesso: Em alguns relatos de casos, o excesso de cafeína potencializou a ansiedade durante o reflexo.

  • Rede de Apoio Informada: É vital que o companheiro ou rede de apoio saiba que aqueles 5 minutos iniciais são difíceis. Ter alguém para trazer um copo de água ou apenas validar seu esforço faz toda a diferença.

Você é uma mãe incrível

O caminho da amamentação pode ter obstáculos invisíveis como o Reflexo de Ejeção Disfórica do Leite (D-MER), mas ele não define o seu amor. Se você é gestante, informe-se; se você é mãe e sente isso, acolha-se. A informação é a melhor ferramenta para garantir que a nutrição do seu filho não seja um fardo, mas um processo compreendido e respeitado.

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Você sente isso? Comenta aqui embaixo “Eu sinto” para encontrarmos outras mães que passam pelo mesmo.

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