Na gravidez já sonhamos como será nosso filho. Pedimos à Deus que o traga calminho, que ele durma a noite inteira e que não tenha cólicas. Pedimos que ele venha com muita saúde e que seja inteligente. Desejamos que quando crescer tenha uma excelente profissão, quem sabe um médico ou engenheiro, para que venha ganhar bem e ter uma linda família. Mesmo antes de conhecer eles, já idealizamos o filho perfeito.

A realidade fora da barriga da mãe

Depois que eles nascem é que realmente descobrimos como eles são. Uns são mais manhosos e gostam de estar no colo toda hora. Outros estão sempre cheios de energia e ativos, dormem tarde e acordam cedo. Outros choram com frequência, o que traz preocupações para as mamães pois não sabem qual a origem do sono: fome, sono, cólica, dor, manha, etc.

À medida que eles crescem é que realmente vamos percebendo como eles são. Nos três primeiros meses é normal o bebê querer ficar grudado na mãe. Chamamos esse período de externo-gestação, ou seja, uma continuação da gravidez, porém fora da barriga. O bebê ainda está se adaptando ao novo e por isso precisa muito da mãe.

É por volta dos três meses de vida, que além da visão do bebê estar melhor, ele começa a perceber que a mãe não faz parte do conjunto dele e isso gera muita insegurança. Nessa fase é comum que os bebês sejam mais manhosos do que o normal. Eles querem e necessitam se sentir seguros, de que tudo vai ficar bem, mesmo sem a mãe grudada nele.

Quando o bebê faz um ano ele está aprendendo que tem liberdade e gosta de explorar essa novidade. A maioria deles começam a caminhar até um ano e meio. Quer coisa mais divertida que poder se locomover sem precisar ser carregado? É uma fase super empolgante e cheia de aprendizado. Muitos começam a falar algumas palavras claramente como papai, mamãe e água, por exemplo.

Os terríveis dois anos de idade

Quando chega por volta dos dois anos idade, eles entram nos “terrible two”, denominada assim ou “adolescência dos bebês”. Todos temos uma lembrança linda da nossa adolescência, não é mesmo? A gente querendo fazer as coisas do nosso jeito e a mãe dizendo que tem que ser do jeito dela. Era bico e choro de um lado e uma mãe estressada do outro lado. Basicamente é a mesma ideia.

As crianças já adquiram certas habilidades, gostam de fazer sozinhas e, principalmente, começam a testar os limites impostos pelos pais. Sabe aquela vez que você deixou o filho brincar com água na sala de casa e pensou “Ah é só hoje mesmo!”, na cabecinha da criança de dois anos de idade, isso é algo que ela poderá fazer sempre. Pior de tudo é que no primeiro não ela não irá desistir. Então ela tenta… tenta de novo… e tenta mais uma vez…. Às vezes até uma quarta vez, se você deixar. Até que você ceda e conceda a ela o direito de brincar novamente com água na sala de casa.

O virtual diferente do real?

Outro dia ouvi uma mãe falar que tudo que a gente vê nas redes sociais é pura mentira e que as pessoas não fazem o que falam. Mas acho que não é sempre assim…

Sinceramente, eu gostaria de dizer que eu nunca cedi a um xilique dos meus filhos. Não cedi a todos e principalmente aos que tem razão mor de existirem, porém, sim, já cedi a xiliques que não iriam influenciar diretamente e o meu não era frouxo. Sei lá, coisas como não deixar tomar suco no copo de brinquedo enquanto eu estou fazendo almoço. Querer eu não queria que ela brincasse porque eu sabia do desastre que seria, água pelo chão da cozinha todo, ela encharcada de líquidos e eu tendo que parar o que estava fazendo para socorrer ela. Essa é a realidade.

Mas também esse pensamento foi o que originou a criação desse texto. Como queremos que nossos filhos sejam perfeitos! O Cauê nunca mordeu, bateu, brigou com criança. Na verdade, aconteceu uma vez, mas o menino estava moendo ele de socos contra o muro, então ele revidou. Foi a única vez. Mas na escola, nunca fui chamada pela professora porque o Cauê não fez uma coisa que deveria fazer ou fez uma coisa que não deveria fazer.

E nessa perspectiva veio a Catarina, cheia de autonomia, independente e que aprende tudo com o irmão mais velho. Até fazer birra! O Cauê às vezes acorda com a pá virada e a Catarina começou a copiar esse tipo de atitude. É um oh, porque daí não tenho que corrigir apenas um filho, mas dois.

Síndrome do filho perfeito

A síndrome do filho perfeito não existe oficialmente pelo que pesquisei. Mas sabe aquela coisa de conversa, de vergonha alheia, de pensamento: “meu filho nunca fará uma coisa dessas”. Em torno dessas coisas que poderia sugerir que indiretamente queremos que nossos filhos sejam perfeitos.

Vivemos em um mundo onde a pregação é o P-E-R-F-E-I-T-O! O corpo tem que ser perfeito, a foto tem que ser perfeita, a casa tem que estar perfeita, o emprego tem que ser perfeito. TUDO tem que ser perfeito, porque senão for, não traz felicidade, não agrega, não condiz com o que a sociedade aceita.

Aceitação

Aceitação é uma das coisas mais difíceis. Muitas vezes temos que aceitar que não damos conta de educar nossos filhos sozinhos, que o padrão de comportamento precisa de um pouco mais de atenção, mais dedicação e até mesmo intervenção profissional.

Contudo, também temos que aceitar que somos seres humanos e E-R-R-A-M-O-S. Certa vez li em um livro do Augusto Cury uma frase que dizia algo assim “É preciso sentar e conversar: ‘Filho, eu também fracassei, também passei por dores, também fui rejeitado. Houve momentos em que chorei’. Quando os pais cruzam seu mundo com os dos filhos, formam-se arquivos saudáveis poderosos em sua mente” Fonte: Escola Inteligência. Cruzar nosso mundo com eles, reconhecer nossas inseguranças, fraquezas e fracassos, vai nos tornar mais humanos para eles. Eles precisam compreender que somos imperfeitos e que não esperamos perfeição.

Em um mundo onde a cobrança é acirrada, e só se pensa no perfeito. Que tal pensar em ter um perfeito abraço, uma perfeita lembrança, uma perfeita marca na vida dos nossos filhos. Eu sei que os maus comportamentos nos incomodam e precisam ser corrigidos. Não querer que eles sejam perfeitos também não é motivo para não corrigir. Quem ama, educa; já dizia Içami Tiba.

Porém mais que querer a perfeição dos nossos filhos é criar o momento perfeito para estar com eles. Se desligar das redes sociais e simplesmente curtir. Fazer coisas que vocês não fazem há muito tempo como assistir filme e dormir na sala de TV? Ou então correr no parque e levar seu filho andar de bicicleta. Apostar corrida com um copo de canudinho. Criar brincadeiras para eles lembrarem para sempre o quanto era gostoso estar com os pais.  Era tão bom e tão gostoso que quando eles tiverem filhos, eles irão proporcionar momentos assim.

Aprenda a curtir a imperfeição maravilhosa que Deus te presenteou!

Mãe do Cauê e da Catarina 🙂




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