Ao contrário do que se pensa, para os bebês a massagem não significa apenas um momento de relaxamento e descanso. Ao longo da nossa vida nós ressignificamos o toque, perdendo o seu valor instintivo de acalentar, proteger e acolher. O ato de tocar pode conter elementos fundamentais para o desenvolvimento do ser humano, especialmente para os bebês que desde sua vida intrauterina experimentam o toque através do roçar do seu pequeno corpo no útero, quando sua mãe massageia a barriga e até mesmo durante as contrações do trabalho de parto.

A importância da massagem para o bebê

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O sentido do toque é o primeiro a ser desenvolvido no feto e segundo a Embriologia humana, área da ciência que estuda o desenvolvimento pré-natal, quanto antes uma função se desenvolve, tão fundamental ela é para a sobrevivência humana. Estudos revelam que bebês respondem a sensibilidade ao toque na pele com apenas oito semanas de gestação e, portanto, é o sentido mais desenvolvido no bebê ao nascer.

Tocar o bebê, através da massagem, do colo, do aconchego, do acalanto significa estabelecer uma forma de comunicação mais efetiva do que qualquer palavra, gesto ou canto, para demonstrar ao bebê que ele está seguro, que ele pode continuar se desenvolvendo bem neste ‘novo mundo’ e que ele pode contar com o apoio de seus pais para aliviar suas angústias, medos e inseguranças.

Todo ser humano precisa de contato carinhoso, especialmente os bebês. A massagem infantil, em diversos lugares do mundo, faz parte da rotina dos cuidados dispensados nos primeiros anos de vida e sempre foi aplicada intuitivamente através da tradição de várias culturas. A partir de 1970, depois que o médico francês Frederick Leboyer retornou de uma visita à Índia é que nós ocidentais ficamos conhecendo a mais famosa prática de massagear os bebês, a Shantala.

O que é a Shantala?

Shantala

A Shantala é uma massagem tradicional indiana baseada nos princípios da Medicina Tradicional Ayurveda especialmente indicada para bebês e crianças. Na Índia, é um conhecimento milenar passado de mãe para filha há muitas gerações como parte dos cuidados básicos ao recém-nascido.

A prática da Shantala possui benefícios físicos, emocionais e fortalece o vínculo afetivo entre mãe/pai e filho. Existem movimentos para todas as partes do corpo que beneficiam o bebê em diversas situações dentre as principais estão: melhora de sono e tranquilidade, diminuição do medo, ansiedade, irritação e insegurança; alívio e prevenção de cólicas e gases; auxílio ao desenvolvimento psicomotor e respiração; melhora da digestão e diminuição do refluxo gatroesofágico neonatal.

Mas o benefício mais importante é que antes de ser uma técnica, a Shantala é uma arte de dar amor e carinho, e pode ser praticada por todos os que queiram experimentar este momento de intenso amor com seu bebê. E através da Shantala, é possível fortalecer o vínculo afetivo com o bebê, importante para o desenvolvimento físico e emocional, proporcionando um momento afetivo tão especial quanto aquele vivenciado pela mãe durante a gestação.

Pratique a massagem! E em dias frios, aqueça o ambiente e ofereça a Shantala diariamente ao seu bebê. Tudo o que nossos bebês precisam é de muito amor e apoio nessa transformação de vida e sentir-se seguro e protegido é fundamental para o pequenino.

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Para refletir

“Nos bebês, a pele transcende a tudo. É ela o primeiro sentido. É ela que sabe. (…) Ah, sim, é preciso dar atenção a esta pele, nutri-la. Com amor. Mas não com cremes.

Ser levados, embalados, acariciados, pegos, massageados constitui para os bebês, alimentos tão indispensáveis, senão mais, do que vitaminas, sais minerais e proteínas.

Se for privada disso tudo e do cheiro, do calor e da voz que ela conhece bem, mesmo cheia de leite, a criança vai-se deixar morrer de fome.” (Frederick Leboyer)

É naturóloga, pós graduada em acupuntura.
Aspirante a mãe e apaixonada pela primeira infância, escreve sobre amamentação, vínculo afetivo, shantala, cuidados naturais com o bebê e durante a gestação. Tudo que pode envolver e contribuir com a maternidade e paternidade e suas relações com saúde e sociedade.





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