skip to Main Content
Relato Do Nascimento De Henrique – Filho Da Helena

Relato do nascimento de Henrique – Filho da Helena

Hoje tenho orgulho de compartilhar a história do nascimento de Henrique, sua mamãe Helena, foi muito forte e corajosa durante todo período. Ela escreveu um relato bem completo sobre sua preparação para a gravidez até o nascimento do seu filho. Sabemos como isso é realmente importante e convido vocês a se emocionarem e a se empoderarem com mais esse relato de parto.

Relato completo do nascimento de Henrique

Preparação para a concepção

O Henrique foi desejado desde que me conheço por gente, lembro que quando criança sempre dizia que teria um menino de preferência, e que seu nome seria Henrique, Henrich, Harich…achava todas as variações do nome Henrique em vários idiomas lindíssimas.

Em setembro de 2015 decidimos permitir a vinda do nosso primeiro filho, com o uso de anticoncepcionais isso não era possível, associamos esta necessidade a minha saúde que também estava pedindo este cuidado e decidimos iniciar esta jornada, que se iniciou muito mais tumultuada do que poderíamos imaginar.

Procurei meu ginecologista e ciente de que o organismo era um com o uso de anticoncepcionais e outro sem o uso, fui orientada a esperar a resposta natural do corpo através da menstruação para a realização dos exames de fertilidade.

Essa espera foi de 4 meses. Poderia ser normal afinal foram 10 anos usando anticoncepcionais, mas o buraco era mais embaixo: eu tinha síndrome dos ovários policísticos (SOP) e a minha tireoide estava toda bagunçada pelos hormônios do anticoncepcional e também pela rotina estressante da minha profissão.

A solução proposta era o uso de medicamentos para possivelmente engravidar em 2 anos. Como tomar remédio nunca me agradou, busquei a ajuda no ayurveda (ciência milenar indiana) que eu já seguia a risca as orientações de alimentação e rotina diária devido as minhas intolerâncias alimentares (Glúten pois sou celíaca, lactose e corantes).

Meu marido e eu fizemos ambos a limpeza do organismo e em seguida a nutrição adequada para fortalecer nossos tecidos reprodutivos e proporcionar a vinda de um bebê mais saudável. Com 3 meses de tratamento  e mais 3 meses de espera e manutenções meu corpo se limpou naturalmente dos cistos e fomos abençoados com a concepção.

A gestação

O Henrique chegou sem avisar, e ficou ali quietinho por 7 ou 9 semanas (até hoje não sei exato quando foi a concepção) até termos a confirmação. Meu marido suspeitou da gravidez pois minha temperatura corporal havia subido. Eu que sou toda controladora, não controlei a menstruação atrasada afinal era normal atrasar pois eu tinha SOP e minha última menstruação ocorreu no final de setembro.  Não dei importância para o calor, só com o comentário do meu marido é que tive um insight e fui fazer o teste. Era tanta alegria que não conseguimos acreditar, só tivemos certeza com os exames clínicos em mãos.

Quando descobrimos a gravidez, já estava desempregada depois de 4 anos e meio de uma rotina bem intensa e estressante. Por uma questão de fé de que nada nessa vida é por acaso, agradeci a Deus por estar naquela situação e optei por não voltar a trabalhar como antes e me dedicar a minha gestação e a uma nova profissão, onde a prioridade seria a criação do meu bebê.

Não tive enjoo, desejo, inchaços, NADA…e devo isso a preparação segundo o ayurveda, feita antes da concepção.

Tive uma gestação saudável, iniciei o uso de ferro e ácido fólico com 5 meses de gestação pois meu estoque estava bom. Mas reforcei para ajudar no parto sempre orientada de forma muito cuidadosa e respeitosa pela médica do posto de saúde.

Quando estava no 3º mês de gestação, fui fazer o ultrassom com a minha mãe pois meu marido estava trabalhando. Lembro que era a primeira chance real de descobrir o sexo do bebê. Conversei em casa com meu bebê e brinquei que se não abrisse as perna para mostrar o sexo o enxoval ia ser todo amarelo, se queria coisinhas personalizadas era hora de se mostrar.

Quando iniciei o exame, meu bebê estava de perna aberta mostrando o piu piu. Minha intuição estava certa, nosso Henrique estava a caminho.

No sétimo mês de gestação organizamos um chá de bebê com a família em um sábado e um chá de bênçãos com minhas amigas, também terapeutas ayuveda, no outro sábado.  E na segunda feira entre esses dois chás o Henrique virou e se encaixou. Pude sentir cada movimento e desse dia em diante tive contrações de ensaio (Braxton Hicks).

Pratiquei yoga até seis dias antes do parto. Eu já praticava antes de engravidar e a yoga foi fundamental para que eu pudesse conhecer meu corpo, minha respiração e ter controle sobre esse processo que é tão importante na hora do parto. Graças ao yoga,  eu estava no dia anterior ao parto ajudando a fazer faxina, arrancando mato da horta entre uma contração e outra.

Pré parto

Lembro que meu último almoço antes do parto foram 3 ovos de pata fritos na manteiga ghee com arroz, tudo do sítio da minha tia. Um já é pesado, imagina o apetite da gravida comendo 3 de uma vez.

A noite as contrações foram ficando mais frequentes e quando fomos controlar o tempo, já estavam com espaços de 3 minutos. Avisamos a doula  e já em seguida meu tampão saiu em pedaços e comecei a perder bastante sangue. Fluxo mais intenso que uma menstruação, era difícil se limpar, mas também não queria colocar um absorvente  ali, saia muito quando eu ia no banheiro, mas no entre tempo era tranquilo.

Em seguida meu intestino começou a se limpar e eu super feliz pois sabia que era uma resposta natural para que quando eu fosse para o hospital, meu corpo já estivesse limpo. Avisamos a doula que brincou para me deixar tranquila, que meu bebê podia nascer no dia seguinte ou em 3 dias, então era para tentarmos dormir pois se fosse no dia seguinte tinha que estar descansada.

Fiz um chocolate quente gordinho, com leite também do sitio da minha tia, cacau, amido de milho e açúcar mascavo e baunilha natural, e comi uns 10 cookies que eu fiz.

Entre uma ida e outra no banheiro que foram tantas que não lembro, tentávamos dormir. Às 3 horas e pouco sonhei com meu bebê do jeitinho que ele nasceu, foi um sinal, pois por mais que eu meditasse e tentasse visualizar o meu bebê durante a gestação, nunca tinha conseguido de forma tão nítida.

Levantei fui novamente no banheiro evacuar e percebi que minha barriga tinha uma linha marrom (Linha Nigra) que até não tinha, é típico de gestação mas eu não tinha. Falei do sonho para o meu marido e disse que antes das 09 da manhã nosso bebÊ chegaria. Deitei mais um pouco, mandei mensagem para a doula que assim que acordasse viesse pois estava cada vez mais intenso, mas como eu estava tranquila não quis acordar ela, achei a mensagem melhor pois assim veria ao acordar.

Cochilei mais um pouco e quase seis da manhã, acordei, sentei na cama e ouvimos um barulho. Brinquei com meu marido dizendo, nossa escutou o chute que teu filho deu aqui? Que nada! Era a bolsa que tinha estourado, corremos para o banheiro, marido ligou para a doula e fui tomar um banho pois me sujei toda quando a bolsa estorou. Eu sabia que precisa comer, mas minha agonia de estar suja na hora foi maior, descemos a escada em direção a cozinha e lembro que a intensidade das contrações ficou cada vez mais forte, tirei a roupa e suei toda, depois frio, muito frio (era inverno), marido buscou roupão, coloquei calcinha, tirei calcinha, coloquei roupão, tirei roupão infinitas vezes, a única coisa que não tirei foi o top.

Hora sentava no sofá, hora no bacio do banheiro, hora no chão, hora na cadeira da cozinha. Meu marido colocou uma seleção de mantras para me relaxar, gritei e mandei desligar, ligou a tv e gritei para desligar, eu queria silêncio ao mesmo tempo que eu vocalizava cada contração e xingava, sim, eu que não sou de falar coisas feias, falava palavrão sem querer.

A doula chegou por volta das 07:30 e me senti segura para continuar ali, marido ajudou a fazer chá de canela que eu não consegui tomar mais que dois goles com muito esforço. Marido tentou me fazer comer e eu não conseguia engolir, eu sabia que precisava comer para ter força mas meu corpo não queria comida, consegui dar 3 garfadas em uma cuca de queijinho que fiz com queijo do sitio da minha tia também, mas eu engolia como se eu estivesse fazendo um esforço descomunal, minha cuca deliciosa parecia uma sessão de tortura naquele momento.

Havíamos combinado com a família que o parto era um momento meu e do meu marido e que não queríamos visitas no hospital, apenas em casa e que os primeiros dias queríamos a visita só dos avós, tios e padrinhos. Depois sim a família toda seria bem vinda, pois queríamos que a chegada do Henrique fosse de forma calma. Mas ao mesmo tempo que nós não queríamos a família na hora do parto, achei importante avisar nossas mães para que estivessem orando e desejando um bom parto, afinal são nossas mães e avós do Henrique, elas era as únicas pessoas que sabiam que estava em trabalho de parto.

Eu sabia que a única coisa que importava era o foco, por isso optei por abrir mão de tudo, família, fotos, maquiagem, rituais… Eu só queria um parto normal, se não fosse possível, eu aceitaria uma cesária. Afinal o parto não é um espetáculo cheio de ensaios para a perfeição, o parto acontece do jeito que deve ser, e aceitar é importante, pois no final das contas o que importa mesmo é o nascer de uma nova vida. Todo o resto foram só detalhes, que sim fazem diferença , mas com ou sem a nossa alegria era ver nosso filho em nossos braços. Mas graças a Deus, o parto foi em grande parte como eu visualizei e desejei.

Às 08:30, ainda em casa, minha mãe chega e eu estou no banheiro com o chuveiro na mão para passar na barriga e aliviar as contrações e lavando o sangue que ainda saia. Me sentia uma baratinha sem conseguir achar posição e sendo salva pela bola de pilates e pelo apoio da doula. Eu sabia que minha mãe me olharia com pena e eu não precisava de pena, precisava de apoio, então intuitivamente e sem pensar gritei para que não deixassem ela entrar para tirarem ela da casa, para mandarem ela embora.

Em seguida sai do banheiro e dei a última garfada na cuca me joguei no chão e não sei como, mas a doula tinha uma almofada para os joelhos e outra para a minha barriga, agarrei ela forte e disse que eu não aguentava mais que eu achava que estava perto da hora de nascer e queria saber o que ela achava de irmos para o hospital.

Lembro que ela falou que eu tinha que saber, que era uma decisão minha. Na hora pensei, poxa como assim ela que tem experiência! Hoje vejo como ela foi correta , pois ela também acreditava que estava perto da hora de nascer, mas o parto era meu e era a minha decisão, eu precisava tomar as rédeas desse momento. Isso me deixa muito feliz.

Fomos para o hospital com meu marido dirigindo com toda a calma, e eu agarrando as almofadas e a doula no banco de trás. Lembro do sol batendo na janela de mansinho, o sol estava se mostrando para receber nosso Henrique nesse mundo.

O parto

Chegamos no hospital às 08:57 e a doula me acompanhou, não fizeram minha internação só me colocaram em uma cadeira de rodas e correram comigo para o elevador.

Na sala de pré-parto pedi para esperarem a contração para medirem a dilatação e o fizeram, e para nossa surpresa já estava com 10 dedos de dilatação, (a doula em nenhum momento faz essa medição em casa, e eu optei por não fazer sozinha).

Me pediram como eu queria o parto e eu disse tanto faz, só queria que meu filho nascesse, mais uma vez a doula olhou e disse, mas como você prefere, era no banquinho que você queria né? E rapidamente preparam tudo e deixaram meu marido estar comigo mesmo sem ter dado tempo para fazer a internação, achei isso tão humano e correto.

Não lembro de quase nada do que falaram comigo, os 40 minutos entre chegar no hospital e o Henrique nascer, me pareceram apenas 15 pois eu estava em transe conectada com o meu bebê. Qualquer coisa que falassem ou fizessem não me tirava o foco do que eu estava sentido, por isso ter a doula com toda a sua experiência e conhecimento neste momento foi fundamental, ela foi minha audição, razão e verbalização .

Fomos para a sala de parto e lembro que quando eu sentei no banco para ter o parto vertical, relaxei e falei “ai isso aqui é muito bom, parece o bacio lá de casa”rs… se fosse na maca eu não teria relaxado e o parto não seria tão fácil, pois a pressão que eu sentia era forte e com o banco eu tinha algum conforto, e foi assim, meu marido me ajudando a fazer  força me amparando pelas costas e amparando as minhas mãos para que eu pudesse apertar as dele durante as contrações, durante o intervalo de uma contração eu quis agradecer meu marido e lhe dei um beijo, mas meu marido não soube se foi um chupão ou uma mordida pela intensidade, rs.

O Henrique ficou se mexendo e fazendo força para sair, dava p ver minha barriga de um lado para o outro, a doula do lado me olhando com uma sintonia total, e em menos de 20 minutos nosso filho nasceu, agarrei ele e puxei ele pra mim, dizendo: me dá me dá, é meu!

Não queria que ninguém pegasse para examinar e cortar o cordão, pedi para não cortar esperaram mais de um minuto e cortaram, segurei o máximo que pude e dei pois a doula falou: precisa já vão te devolver, não foi o ideal, mas foi o suficiente. Pedi para não pingarem colírio nem fazerem nenhum procedimento que não fosse necessário, e assim o fizeram, só pesaram, mediram e me devolveram com uma toquinha amarela…perfeito.

Meu primeiro instinto foi proteger, sei lá do que ou o porquê, mas me bateu uma vontade louca de cuidar, de amar… deve ter sido a ocitocina que estava gritando em cada pedacinho da gente…a ocitocina foi tanta que a doula menstruou naquele dia, sendo que não era a data correta. A ocitocina era tanta que implorei para não receber a injeção de ocitocina que é dada após o parto para ajudar na lactação e para evitar a depressão pós parto, expliquei que meu corpo poderia ter respostas exageradas a qualquer medicação e a equipe respeitosamente não ministrou a injeção.

Tive uma pequena laceração na região superior (região inferior fiz exercícios e enemas com óleo de gergelim para evitar) pois precisei fazer força em um momento em que eu deveria ter relaxado, isso ocorreu pois a equipe médica estava com pressa e penso que meus 4 pontos não foram nada se comparado a um corte profundo como da  episiotomia.

Eu não queria os pontos, pois eu estava tão bem e não sentia nada no pós parto, e novamente a doula foi fantástica pois ela me orientou de que era melhor, enquanto eu levava os pontos, meu Henrique já foi colocado para mamar, ali mesmo rapidamente após o parto…ai que alegria…e os pontos eram meros detalhes.

Eu estava tão bem que podia sair andando, mas a doula sabiamente me lembrou que eu estava me sentindo bem, mas que isso não significava que eu não precisa me cuidar.

Pós parto

Fomos para a sala de recuperação com mais duas mães e seus bebês, e lá pude perceber quão abençoados fomos pois tivemos um parto natural dentro de um hospital. Afinal muitas vezes os partos normais são acompanhados de induções, bolsas rompidas, episiotomia, medicações…e pela graça de Deus e pela equipe maravilhosa que estava ali nada disso foi necessário.

Pedi para que o Henrique não fosse limpado, queria ele com o vernix, e o meu super marido/super papai do Henrique não desgrudou do filhote nenhum minuto e garantiu isso.

Nós cheiramos o Henrique o tempo todo, pois aquele cheiro era algo inexplicável, nem uma fava fresca de baunilha é tão deliciosa quanto o cheiro do nosso bebê quando nasceu.

Me pediram o que eu queria comer, disse que poderia ser um chá já estava ótimo pois eu sabia que era difícil preparar comida para mim. Além disso, tínhamos levado um bolsa térmica recheada por garantia, e que meu marido podia buscar minhas marmitas congeladas em casa depois, me pediram se eu aceitava comida salgada, e eu concordei, estava com um apetite.

Para a minha surpresa me serviram uma comida reforçada, saborosa, sem glúten, sem lactose, saudável.  Isso em menos de uma hora após o parto, eu comi tudo com gosto, e aquele apetite me deixou feliz, pois um apetite desses é sinal de que eu estava ótima. E assim foram todas as refeições, servidas com muito cuidado, carinho e sabor.

Marido ligou para nossos pais avisando, meu pai nem sabia que eu estava em trabalho de parto, depois mandou mensagens para nossos irmãos e padrinhos, meu celular começou a encher de mensagens e ligações, e eu simplesmente não quis ver nada, eu não queria saber do mundo lá fora, meu mundo estava ali no meu colo, e era a única coisa que importava.

Ele mamou novamente, e a doula ali me ajudando para que tudo fluísse naturalmente, não me abandonou nem na hora de ir no banheiro, querida. Olha que essa hora foi a que achei ela mais incrível, ardeu muito devido aos pontos e se não fosse ela ali, nunca pensaria em usar o chuveirinho para ajudar.

Em seguida fomos para o quarto, só nós 4, mãe, pai, bebê e doula. Descobri que meu marido estava molhado desde a hora do parto, pois eu suei muito e molhei o casaco, camisa, tudo, e ele ficou ali molhado por horas sem se importar pois a única coisa que importava era o nosso pequeno. Pedi que ele fosse para casa tomar um banho e levar a doula, fiquei sozinha por duas horas apenas e logo ele estava lá novamente cuidando do nosso menino e de mim.

Demos o primeiro banho, o pai e eu, após as 24 horas de vida, num misto de amor e cuidado pois era super frio.  E ali vi meu marido se tornar ainda mais amável, mais admirável, inexplicavelmente fui capaz de amar ainda mais aquele homem, que a cada mamada pegava o bebê para mim, que me servia comida, bebida, que trocava as fraldas, que ia comigo no banheiro, que superou todas as minhas expectativas e que ali mais do que nunca me provou o seu amor e me fez ter certeza de que casei com o amor da minha vida.

Naquele dia nasceu uma nova vida, mas também, uma nova mulher, mãe, um novo homem, pai e renasceu a nossa família agora maior, mais forte e repleta de amor.

Mãe do Cauê e da Catarina, esposa do Diogo Petermann. Casada há 11 anos. Apaixonada por brigadeiro de panela, pipoca e Grey’s Anatomy!

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Back To Top