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A espera e o nascimento do Otto

A Espera E O Nascimento Do Otto

Otto sempre foi desejado, queríamos mais de um filho, então quando o Henrique nosso primeiro filho deixou de mamar e fiz um check-up completinho depois do susto de ter operado a apêndice, vimos que a saúde estava impecável, brincamos “ já podemos encomendar o segundo filho” e naquela mesma noite ele foi concebido com muito amor, só não imaginávamos que ele estava com tanta pressa assim de vir. 

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A gestação foi leve, seguindo as orientações milenares do Ayurveda de rotina, cuidados e alimentação mês a mês. Mas na metade da gestação tive um episódio de dor muito forte, eu que não uso medicação tão fácil e não vou ao hospital sem ser motivo grave, estava lá por ordem da sogra e da minha mãe que estavam com mais medo que eu. Como estava me contorcendo de dor, tive que ser medicada. No dia seguinte agendei uma consulta com a dra. Estefanie que admiro muito, iniciamos acupuntura pois o problema provavelmente estava nos ligamentos. A dra. Estefanie explicou  na segunda gestação eles doem mais, e assim segui até o final da gestação tranquila, com os incômodos normais de um corpo em constante mudança. Graças ao Yoga que pratiquei do início da gestação até a última semana, no início com a Leila e depois com a Danusa no espaço Inspire onde também atuo como terapeuta Ayurveda. Me preparei para a gestação , mas assim como na gestação do Henrique a quantidade de vitamina B12 baixou no sétimo mês, reforcei a ingestão de ovo de pata com ghee e clorela e pronto tudo se normalizou. 

Minha tireoide deu uma leve bagunçada (para quem não sabe já tive problemas na tireoide e tratei apenas com Ayurveda). Quem identificou foi o marido da dra. Estefanie, o dr. Gustavo que me orientou e me acompanhou, era leve mas ele me convenceu da necessidade da medicação pontual naquele momento por segurança, normalizou e mantivemos a medicação até o final da gestação por segurança, por que confio na opinião desse casal maravilhoso. 

Por que não fitoterapia novamente? Por que não era só meu corpo, era do bebê que estava se formando e dependia do meu estado de equilíbrio, não tínhamos tempo para tentativas. Otto teve chá de bençãos, emocionante! Mais um chá de bebê que foi delicioso. Continuei trabalhando com carga horária reduzida mas ainda trabalhando. Então ele que já estava cefálico, ficou pélvico na 36ª semana, me apavorei, sabia que ele podia voltar a ficar cefálico, mas só aí é que caiu a ficha…

Eu sempre dizia que ele viria como quisesse, fosse cesárea ou normal, mas que eu tentaria o normal. Foi nessa hora que percebi que essa fala era para evitar comentários ruins, foi quando me dei conta o quanto temia uma cesaria. Apesar de toda a informação, porque acho sim que ambas as possibilidades podem ser boas dependendo da situação, mas não era meu racional que temia, eram meus instintos…

Contei para algumas pessoas mais próximas e me senti muito abençoada pois ao mesmo tempo que recebi orientações e leituras da Doula Elaine, recebi puxões de orelha e bons conselhos de minhas amigas, recebi orientações da dra Estefanie com acupuntura, exercícios de yoga da Danusa, formulações de Homeopatia da Carol minha vizinha. Mas nem precisou de tudo isso, a primeira coisa que a doula me disse foi, bebês pélvicos podem estar querendo chamar a atenção, e sim refleti e reconheci que meu foco estava em deixar tudo pronto, casa, trabalho antes do parto, estava preocupada com meu outro filho em não deixar ele se sentir menos importante do que o bebê, que de certa forma, sem deixar de amar e dar atenção, não dei foco para o bebê dentro de mim, foi só mudar o botão para liberar tudo, até parei de insistir em fazer o Henrique dormir em casa e de lá para cá ele vem dormindo com a oma, finalizei a arrumação dos últimos detalhes do enxoval, conversamos muito com o bebê e fizemos a técnica da luz para ajudar o bebê a se virar para onde a luz está, rimos até hoje pois ele fica vidrado na luz do abajur de madrugada, mais a técnica da temperatura da água para que ele se virasse. 

Exatamente três dias depois, na consulta no posto de saúde com a dra. Herica, tive a confirmação de que ele virou, mas saber que a acupuntura, as posturas de yoga, a homeopatia podiam ajudar, pelo simples fato de saber dessas opções já ajudaram pois consegui relaxar e ter fé que ia dar certo o parto normal, mais do que as técnicas, saber que estou cercada de mulheres fantásticas, amigas, nos fez muito bem. Gratidão!!!

Quinta feira dia 20/02/2020 a noite Henrique nosso filho de 2 anos foi dormir cedo na oma (nosso jeito alemão de chamar avó) Ivone que mora do nosso lado, aproveitamos para ver um filminho juntos Marcelo e eu, eu não queria nada agitado nem com violência, então ele colocou A Cabana. Pegou o livro para ir acompanhando e achou dobradinho a poesia que escrevi em homenagem ao meu irmão Lucas, há 10 anos atrás, ele faleceu de leucemia aos 4 anos de idade, meu marido começou a ler e eu me lembrei que quando fui visitar o túmulo do meu irmão e contar da gravidez, em nossa conversa íntima em oração olhei para a lápide e me veio o pensamento/voz de que ele viria naquela data, fiz com que esse pensamento se fosse pois não queria. 

Falei para meu marido Marcelo que o Lucas havia falecido por esses dias, mas não lembro mais da data, coisa de grávida, pesquisamos e era dia 22 de fevereiro de 2010. Dia 22 seria o plantão da dra. Estefanie, que admiro e confio muito, queria que ele nascesse com ela por perto, naquele momento meu desejo estremeceu, já não sabia mais se queria aquela data.

Dormi, acordei dia 21 cedinho, fui ao banheiro evacuar, depois mais uma vez. Saímos para deixar o Henrique na creche, fomos fazer entrega de ghee, bancos, mercado, até no Detran para adiantar coisas até o final do ano. A manhã rendeu, em todos os lugares estavam me mandando passar na frente, eu não uso preferencial quando não é necessário, nem nesse dia usei, mas as pessoas faziam questão de me mandar passar, acho que estava na cara que eu estava em trabalho de parto. Fomos para casa almoçar, dormi a tarde, minha mãe veio me visitar às 17h, eu já tinha tomado café e comido duas fatias de pão, deixei o café sobre a mesa e pedi que ela se servisse pois queria ficar no sofá, sentia cólicas. 

Logo o ritmo das contrações começou a ficar incômodo, disse que queria ir para a cama, levantei e travei, respirei e a dor passou, pedi p ela me acompanhar, mas ela percebeu que já estava na hora do Otto vir. Eu brinquei que podia ser hoje ou em duas semanas, ela se despediu e foi para casa, mandei mensagem para a doula Elaine dizendo que estava ritmando e que achava que ia demorar um pouco, mas que era para se preparar, afinal ela mora em Massaranduba. 

Mandei mais uma dizendo que estava aumentando e que tinha medo de chamar e ela ficar um dia esperando aqui…logo fui ao banheiro e quase quebrei o box de tanto socar, mandei Marcelo mandar mensagem para a doula vir, ele mandou …logo gritei “manda vir voando” e ele mandou na sequência. Ele me ajudou a subir para o segundo piso da casa, fomos para o chuveiro do banheiro superior e a dor era intensa, ele percebeu e me trouxe uma bola de pilates rapidamente e sentei, e ali fiquei, tentava levantar e não conseguia, se me erguia logo sentava, não era confortável, mas era o que eu suportava…

Eu não entendia por que doía tanto, não tive dor assim no parto do Henrique, pelo menos não lembro…Marcelo me acalmava mandava respirar fundo, sim pois na dor o corpo trava a respiração para não sentir, e ele me lembrava de respirar fundo e eu o fazia. Ele ia me dizendo a localização da doula para me acalmar e ela logo chegou, parecia tão rápido, mas tinha se passado bastante tempo, ela fez massagem que ora ajudava e ora doía. Eu pedi se era para chamar a dra. Estefanie para fazer acupuntura pois a dor era intensa e se fosse até o dia seguinte naquele ritmo eu não ia aguentar, ela respondeu que eu que tinha que saber…eu já não sabia de nada só estava com medo da dor, segundo parto e pela primeira vez eu estava com medo, por essa eu não esperava. Meu último ano foi de muito aprendizado e reconhecimento dos meus medos inconscientes, Otto me fez iniciar esse processo antes da sua concepção e o parto foi o ápice disso.

Então ela me disse: “para de pensar e vai para aquele lugar que só tem você e o Otto e se conecta com ele”. Entendi que era para parar de racionalizar e me entregar, focar no parto, foi o que fiz, confesso que com a dor isso era mais difícil, mas deixei fluir afinal é só não resistir e relaxar, uau!!! Aprendi a relaxar na dor nesse parto, fiz isso no primeiro parto mas foi fácil pois não tinha medo, dessa vez eu precisei superar a barreira do medo, que intenso, que aprendizado.

Estava muito tempo na água e pedi p ir para a cama, que horror, nada confortável, até meu japamala eu mordi e rapidamente pedi para ir para o banheiro, chuveiro de novo não, vamos tentar a banheira, eu mesma fui enchendo e oscilando água fria, depois quente, nessa hora a intuição aflorou e fiz esses estímulos, vinham pensamentos como: “desse jeito vou para cesárea”. Aí pensava “deixa rolar se for ok”, meu corpo travava de dor, eu queria morder, precisava morder, mordi a cabeceira da banheira. A doula me dava a mão e eu me puxava, logo ela me deu um tecido (a mochila da mulher é super equipada) e fizemos cabo de guerra, essa doula pensa em tudo, colocou uma luz azul, aroma que pelo que lembro era ylang ylang, e eu fiquei entre a dor intensa e o relaxamento profundo, indo e vindo, e a cada fase eu dilatava, minha bolsa não tinha estourado, mas eu via cristais na água, ou seja tinha algo saindo. Ouvia minha sogra e meu filho sapateando na brita e ela dizendo algo para meu marido no andar de baixo, mas não estava prestando atenção, ela estava preocupada e queria que fossemos para o hospital, isso abafado pela música clássica que invadia a casa perfeitamente, nada planejado, a playlist era para ser outra, logo.

Marcelo foi quem disse agora vamos. Em um momento de coragem fiz o toque, não é nada confortável nessa hora, não consegui fazer no primeiro parto, fiz e tirei na abertura que sentia, me parecia ser uns 5 dedos de dilatação, a doula disse que além disso eu deveria perceber se eu sentia as laterais ou não, ela tinha me explicado detalhadamente tudo isso antes, quando a dilatação está total não sentimos as laterais, e eu já não sentia, mas ao mesmo tempo a distância entre os dedos não me parecia ser 10 de dilatação, estava com medo de ir cedo ao hospital e ficar lá sem o conforto e o aconchego da minha casa, do nosso ninho. 

Ao mesmo tempo tive medo dele nascer em casa e receber intervenções desnecessárias por não ter nascido em ambiente hospital, parei de pensar apenas senti que não aguentava mais, então arrumei forças para sair da banheira e ir. As contrações eram ritmadas ao ponto de precisar ir parando no caminho até o carro, ter o marido e a doula me amparando, me ajudando, me confortando foi essencial, se não nessa hora já nem conseguia mais sair do lugar.

No caminho lembro do Marcelo ultrapassando os carros, eu me erguendo no carro, parecia que ele queria sair, ao mesmo tempo eu dizia vai com calma que ele não vai nascer ainda, chegamos na portaria do hospital e nada do porteiro liberar o ticket e a cancela, marido gritou para ele abrir o vidro e dar rápido, eu gritando atrás ESTÁ NASCENDO, RÁPIDO!!!

 

O nascimento do Otto

Chegamos na porta do hospital e eu travei para sair do carro, respirei fundo me concentrei e me movimentei. A doula perguntou se eu queria andar ou se queria cadeira de rodas, pedi a cadeira pois estava tudo muito intenso, mal conseguia ficar sentada, queria levantar a bunda ao mesmo tempo que minhas pernas estavam se repuxando, lembro de ter gritado e me levaram sem a doula que ficou na recepção cuidando da internação até que meu marido estacionasse o carro e entrasse, a enfermeira que me recebeu pediu para fazer o toque, enquanto ela dizia que estava com 10 de dilatação e eu sorri de alívio, ela tirou os dedos e minha bolsa terminou de se romper e pela primeira vez vi sangue. Ai travei na cama e não conseguia me mexer, gritei dizendo que queria o banquinho

Lembro de ter sido bem incisiva duas vezes, eu não podia e não queria ficar mais nem um minuto na maca, doula e enfermeira prontas para me ajudar a descer e eu não conseguia sair, a enfermeira mandou ligar na recepção e mandar o pai subir pois estava na hora. Mais uma vez o hospital Jaraguá me surpreendeu se importando mais comigo do que com uma burocracia tão necessária como a internação. Nessa hora entrou mais enfermeiras e a médica que pela postura não achamos que era a médica, só entendi depois do parto. Lembro de estar já de 4 sobre a maca, tentando sair dali e gritando de dor, e a médica disse: “Mãe, gritar não vai ajudar seu filho a nascer, se você tem vontade de fazer força faz e coloca esse bebê no mundo, mas gritar não adianta de nada”.

Respirei fundo e pensei em responder à altura, eu estava uma fera parindo, mas soltei o ar e lembrei que a única coisa que importava era me concentrar para trazer o Otto, o restante sinceramente não importava… eu nunca falo palavrões, mas em meus partos isso foi tão intenso que eu pensava e falava mesmo, minha natureza mais íntima não é nada delicada, nem calma. 

Nesse mesmo tempo outra enfermeira queria tirar sangue, eu com 10 de dilatação querendo fazer força e ela querendo tirar sangue, respondi por quê? Ah era para ver doenças sexualmente transmissíveis, fiquei muito irritada com aquilo e respondi que tinha feito os exames na semana passada, estava tudo na pasta, ela respondeu que não interessava era norma do hospital fazer antes do parto, ela não podia deixar o Otto nascer sem fazer esse exame, eu estava com tanta vontade de parir logo que deixei. Só sei que fiquei com um hematoma de mais de 10 cm entre o dorso da mão e o pulso, uma pequena lembrança negativa, mas que foi abafada por tantas lembranças boas de todos que nos acolheram bem no hospital.

Quando vi o banquinho chegar me senti aliviada, mas ainda sem conseguir me mexer falei eu preciso descer mas não consigo, a doula disse relaxa, no seu tempo, a enfermeira calmamente também, e eu gritando “Me ajuda! Vamos lá! Preciso colocar esse menino pra fora! Palavras de força que eu buscava loucamente dentro de mim.

Meu marido sentou em uma poltrona atrás do banquinho, sentei, mas diferente do parto do Henrique, dessa vez o banquinho não era confortável. Otto fazia força para trás e não havia posição confortável. A sala ficou vazia, a enfermeira na minha frente na outra poltrona, a doula em seu banquinho do meu lado, minhas mãos apoiadas nas mãos do Marcelo e agora era só sentir e deixar vir. 

Não lembro dos detalhes, mas achei incrível a sala vazia, estar na sala de pré-parto sem precisar sair para uma segunda sala como foi do Henrique, a enfermeira não interviu em nada, só me deu apoio, tampou minhas fezes várias vezes. Dessa vez o pré-parto foi muito rápido e meu intestino não teve tempo de se limpar totalmente, então sim isso aconteceu e ela discretamente ia tapando, eu nem percebi que estava evacuando, ela só tampava, lembro de uma hora ter dito para ela não encostar o pano pois doía. Falei em tom incisivo em meio a dor e ela “sim, só vou colocar aqui embaixo, não vou encostar não”, quanta delicadeza. 

Lembro de me jogar de 4 no chão, a doula me abraçou e eu disse que era preciso voltar para o banquinho, voltei. Marcelo me pegou nas mãos e fiz uma força tão intensa que lembro de me erguer toda, Marcelo disse que tirei todo o corpo do chão e me apoiei apenas nas mãos dele. Queria ter essa força nos exercícios de yoga, uau! Lembro apenas de ficar assustada com a força e dizer que força é essa, estou fazendo muita força o que que é isso? Acho que essa força não era só minha era do Otto também, algo que não podia controlar. Mas eu podia relaxar e não ir contra ela, relaxei e lembro de sentir arder, ele ir e vir, perfeitamente como eu queria para não lacerar. 

Em algum momento alguém disse faz força. Dessa vez não tinha tesoura perto, nada, eu podia relaxar e parir do nosso jeito. Mas quando a cabeça saiu com tanta força e o corpo não veio atrás, me apavorei e fiz uma super força para colocar para fora, quando ele saiu foi um alívio, relaxei, me fechei e agarrei ele. 

Aquela sensação de que agora sim eu era mãe pela segunda vez. A certeza de que meu segundo filho tinha nascido, me encostei no pai e ali os 3 corpos juntinhos apreciamos o momento, Otto chorou muito e lembro de cantar para ele e logo fazer ele mamar para acalmar, e ele pegou direto e foi mamando, um segundo alivio. 

Ensinei tanto ele a como fazer para encaixar, para nascer, mas mamar essa eu ia deixar para depois do parto, e esse menino já foi instintivamente mamando, que benção. Ficamos ali um tempão com ele no cordão, minha placenta saiu, a enfermeira amparou com alguma coisa e pôs em um saquinho e depois no pote que eu tinha comigo. A doula colocou na bolsa térmica para levar para casa fazer as medicinas assim como fizemos no parto do Henrique. 

Nessa hora tive frio, muito frio tremia muito, fui aquecida com uma  coberta, uma depois pedi mais uma. Enquanto isso lembro que recebi anestesia local e dois pontos, nessa hora pedi foi muito? Achei que pela força descomunal que tinha feito seriam vários pontos, e para a minha surpresa foram só dois, pensei só dois? Uau!!! E ai a sensação de dor atrás me fez lembrar da hemorroida e eu pensei, fiz merda fazendo tanta força, agora é esperar a alta para cuidar disso, mas por que estou me preocupando, pari um filho lindo, forte naturalmente isso é só um detalhe.

Pediram se eu aceitava comida e me trouxeram gelatina (não como porque sou alérgica a corantes, só comeria se fosse uma necessidade) pão (disseram ser sem glúten mas era só integral, ainda bem que desconfiei e não comi) e uma sopa deliciosa, comi a sopa e alguns biscoitos de arroz que levei na minha pequena bolsa térmica. Nunca saio de casa sem comida, imagina para o parto. 

Enquanto isso a médica que não acompanhou meu parto chegou dizendo que eu precisava tomar ocitocina, e eu já tinha assinado o documento de recusa, logo após parir, expliquei que não precisava além de parir eu já tinha até amamentado, do Henrique eu também pedi para não receber nada…ela disse que eu era responsabilidade dela e que eu não tinha opção se fizesse hemorragia ela ia dar eu querendo ou não, respirei fundo e respondi que concordava com ela, se fizesse hemorragia ela poderia me dar e eu não estava me recusando, só não queria receber naquela situação onde estava tudo ok.

Ela saiu da sala de pré-parto onde estávamos e eu respirei aliviada, agradeci a enfermeira Raquel e disse que seria eternamente grata pela condução dela. Nem nos meus melhores sonhos pensei em um parto assim, tirando a dor e as travadas que meu corpo dava por minha falta de controle sobre a dor, sobre meus medos, o parto foi incrível.

Pediram para dar banho no Otto, pedi que não fosse dado, ela disse que seria apenas um pano úmido, insisti que não. Falei que podiam dar um pano para o pai que ele mesmo limpava. Vieram com colírio e Marcelo rapidamente afastou dizendo que não queríamos, então ela pediu o que queríamos? Respondi a vitamina K, pode ser no colo do pai né, e assim foi.

Disseram que logo viriam me ajudar a tomar banho para ir depois para o quarto, pedi para não tomar banho, só queria me limpar com pano e me vestir. Ok, respeitaram e assim foi.

No quarto a doula me encheu de orientações, super cuidadosa e disse que qualquer coisa estava à disposição, isso já era muito tarde acho que passado da meia noite, e ela se foi e ali ficamos Marcelo, Otto e eu. Marcelo e eu falamos nossos votos para o Otto, mais ou menos assim…”filho, você nasceu do amor da sua mãe e do seu pai, você é filho de Deus, que a natureza e seus elementos, água, terra, fogo, ar e espaço te protejam sempre. Que você viva 100 anos, que tenha uma vida abençoada, honrada e cheia de amor. Te amamos”.

Otto estava tão cansado que mal queria acordar para mamar, poderá, pois, mamou 3 vezes longamente entre o nascimento e a gente ir dormir. Eu descansei, mas não consegui dormir até umas 4 horas da manhã, estava com tanta adrenalina daquele parto rápido e intenso que estava em êxtase. 

Otto mamou comprido novamente das 06h até às 07h. E eu morrendo de fome, Marcelo foi tomar um café na lanchonete e voltou me contando que comeu muito, o equivalente a 3 cafés da manhã e nada leve já que era lanche de lanchonete, coitado ele estava sem jantar, sua última refeição tinha sido o almoço. Não comeu nada após o parto pois não conseguia mais pelo horário e por tanta preocupação, que no dia seguinte compensou, como não amar esse marido, pai que se doa, que cuida…

Pediatra passou no quarto e pediu sobre as mamadas se eram no máximo a cada 3 horas, fui honesta e expliquei que estava mamando comprido e dormindo bastante e eu deixei…para minha surpresa ele disse que estava bom. Uau! Fiiquei encantada, ele foi super carinhoso e brincou com o Otto, assim como a Enfermeira Carolaine que tinha visto o Otto antes. As enfermeiras que vieram me ver sempre muito atenciosas também.

A tarde meu marido foi para casa tomar banho e dormir, no hospital ele passou sentado em uma cadeira, não tinha poltrona no quarto, apesar de todo o resto ser extremamente confortável pra mim e para o Otto. Dei mama para o Otto e enfermeira Carolaine chegou, disse que ele estava mamando, ela esperou, quando ele terminou, ela pediu se podia pegar ele e ela fez ele arrotar para mim, que gesto lindo, sem eu pedir, sem ser parte do trabalho dela, um gesto de tanta sensibilidade e delicadeza, que sorte a nossa ser cuidada por pessoas tão incríveis como ela.

Marcelo voltou e cuidou da gente. Me acompanhou no banho, rimos da minha calcinha absorvente nada sensual, nessas horas que deveriam parecer nada românticas, rimos juntos e enxergamos a essência mais linda do amor, que é amparo, cumplicidade, doação e unidade. Fiquei impressionada pois eu não sentia os pontos, nem a hemorroida, como aquilo era possível? Elogiei os pontos da enfermeira Raquel para todo mundo. No parto do Henrique levei 4 pontos e isso foi incômodo por 7 dias cada vez que ia ao banheiro, e dessa vez eu não sentia nada, nada mesmo. Que alegria, me preocupei a toa. Algumas coisas não tem explicação, no parto do Henrique tive hemorroida e levei alguns dias fazendo banho de assento para melhorar, na gestação do Otto lá estavam elas, e depois do parto com tanta força justamente para trás, não tinha mais nada.

Naquela noite recebi a visita da dra. Estefanie, era seu plantão, Otto escolheu nascer um dia antes, quanta gratidão por essa profissional, mulher, amiga incrível que me ajudou tanto na gestação. NOTA: pedimos para não receber visitas no hospital, pois além de ser um ambiente que devemos evitar sem necessidade, achamos que o primeiro dia deveria ser o mais calmo possível, mas logo após o parto nossos pais e irmãos receberam uma fotinho e as notícias.

Manhã seguinte ganhamos alta, que alegria, mais uma visita boa, dessa vez nossa vizinha Regina, uma enfermeira maravilhosa, e saímos do hospital nos despedindo dela.

Chegamos em casa e ao sair do carro vejo o Henrique vindo da casa da minha sogra, dando pulos do chão com os dois pés ao mesmo tempo de tanta alegria, que emoção, ele parou e pegou uma pedrinha no caminho e logo que viu o maninho de perto deu seu primeiro presente, e a gente não se aguentou com tanta fofura, meus olhos encheram de lágrimas, abracei meu Henrique e curtimos nosso primeiro momento em família. Aos poucos nossos pais, irmãos vieram também um por vez com muita calma para curtir o mais novo membro da família.

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