SIM! Essa é a neura da mãe perfeita.

É o que imediatamente respondemos a quem se dirige para nós quando percebem a nossa rotina. Vida de mãe envolve a agitação do dia a dia, ou seja, casa, comida, marido, filhos e talvez ela mesma. Quando engravidamos é tudo muito lindo, curtimos a barriga, somos paparicas e os desconfortos até são relevantes, pois sabemos que é passageiro.

Após desejarmos muito conhecer o bebê finalmente chega o dia em que iremos conhecer seu rosto. Quando vivenciamos o nascimento, é uma experiência indescritível e única. Em que cada relato de parto eu me encanto, porque vejo a força que as mulheres têm dentro de si mesmas.

Em um mundo idealizado conseguimos conciliar todas as áreas de nossa vida. Afinal de contas, temos de quatro a seis meses para ficar em casa com o bebê. Nessa imaginação, acreditamos que a casa ficará em ordem, o bebê ficará tranquilinho enquanto você organiza a casa e faz comida, sonhamos que ele vai dormir à noite inteira e ainda que vai mamar tranquilamente.

supermae

A nova realidade da mãe

Talvez nós que já somos mães, tenhamos culpa no cartório, pois esquecemos um pouco como esse início é difícil e acabamos falando com tranquilidade sobre a maternidade. Enquanto, na verdade, o início é avassalador. Quando olhamos para o espelho deparamos com uma pessoa diferente.

Estamos cansadas, exaustas, nos sentindo sozinha em um mundo totalmente novo. A sensação que temos é que nunca mais seremos nós mesmas. Somos nós e o bebê. O bebê e nós. E um grande ponto de interrogação: Como vou entender o choro? Como vou saber o que o bebê está sentido? Porque estou sentindo dor na amamentação? Ficamos com as perguntas, com o espelho e com o bebê.

Olhando por esse ponto de visto, é fácil compreender porque uma mãe que entra em depressão pós-parto. Seu mundo mudou! Na cabeça dela “tem que dar conta de tudo”. Ela precisa se adaptar à nova vida, ao bebê e também conciliar todas os outros papéis. Às vezes rola uma certa cobrança do marido para que sua esposa desempenhe esse papel também. Ela sente falta de sair e conversar com as amigas.

Sentir-se assim é bem normal, comum e todas as mulheres que eu conheço passaram por isso. Nem que seja brevemente apenas no pensamento. Admitir? Talvez nem todas tenham essa coragem. A culpa corrói. A melhor coisa é contar com toda ajuda possível.

mae-estressada-com-seu-filho-no-bebe-conforto-e-roupas-espalhadas-pela-casa-foto-andrey_popovshutterstockcom-000000000001667C

A dificuldade que vira um fardo

É difícil pedir ajuda! Sim… muito! Não sabemos como pedir ajuda, pois acreditamos que as pessoas querem nos ajudar com o bebê. Enquanto na verdade precisamos de alguém para colocar ordem no caos da casa.

Ao depararmos com a realidade de mãe de primeira viagem, aprendendo como funciona essa rotina de mãe, o que mais precisamos de ajuda é com a casa. Mas dificilmente alguém vai chegar na sua casa querendo lavar uma louça ou a roupa, passar uma vassoura na casa. Rola aquele paradigma “Ela acha que eu não dou conta de limpar a casa e já está se metendo”, enquanto a pessoa que quer ajudar pensar “Ah se eu pudesse só passar uma vassoura e lavar a louça para ajudar ela, quem sabe ela até podia dormir um pouquinho enquanto estou aqui”. Falta de comunicação pura!

Peça ajuda!

A mãe de primeira viagem, segunda ou de quinta viagem, precisa de ajuda sim! Não tem nada demais admitir isso. Vai estar compartilhando uma carga pesada. Porque nos sentimos mal de estarmos em casa o dia inteiro, não ter feito nada na casa a não ser ter cuidado do bebê. Como se ele não tomasse tempo o suficiente.

Fim do dia, olhamos para o espelho e deparamos com uma mulher que além de ter olheiras gigantes ainda está com o pijama da noite anterior. O dia passa depressa. E por mais desesperador que seja, vai passar. E além de passar, você vai conseguir se adaptar à nova rotina.

mae-e-bebe-com-flor

Não, a mãe não precisa dar conta de tudo sozinha.

Não somos super mulheres e não precisamos dar conta de tudo. Até mesmo a princesa Kate Middleton disse que pedir ajudar não deveria ser um sinal de fraqueza. Ela mesmo falou que “pessoalmente, tornar-se mãe tem sido uma experiência gratificante e maravilhosa. No entanto, muitas vezes também foi um grande desafio, mesmo para mim, que tenho o apoio que a maioria das mães não tem.”

Acho muito bacana quando vejo as mães se apoiando e não se julgando. Se ela faz diferente de você ou de mim, precisamos compreender que a realidade dela, pode ter sido muito diferente da nossa realidade. Julgamentos não vão levar à lugar algum. Todas nós sabemos o quanto a maternidade real é pesada.

Por isso acredito que cada vez mais, devemos nos apoiar umas nas outras.  Sem a neura da mãe perfeita. Sem a neura que consegue dar conta de tudo. É tão bom ter pessoas do nosso lado dispostas a nos ajudar. É tão bom poder ajudar outras pessoas que estão passando por esse momento maravilhoso da maternidade e que lavar uma loucinha ou passar um pano na casa, não vai cair o braço e vai fazer uma mãe dormir mais aliviada. Até o bebê acordar de novo… rs.

Mãe do Cauê e da Catarina 🙂




Comente

Confira também