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Crenças limitantes na educação dos filhos

crenças limitantes na educação dos filhos - blog mamae e cia

A maternidade, especialmente quando os filhos alcançam a janela entre os 7 e 12 anos, funciona como um projetor de alta definição. É nesse período que a criança deixa o pensamento puramente lúdico e passa a organizar sua lógica interna, confrontando diretamente as nossas próprias estruturas. Para a mãe empreendedora, que busca excelência e autonomia, deparar-se com as crenças limitantes na educação dos filhos é um choque de realidade: muitas vezes, percebemos que não estamos educando para o futuro, mas reagindo a um passado que nem nos pertence.

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Esse fenômeno, conhecido como transmissão transgeracional, é o que nos faz repetir frases, tons de voz e punições que um dia prometemos jamais utilizar. A maternidade real exige que olhemos para essas “verdades” herdadas com o rigor de uma pesquisadora e a compaixão de uma mãe.

A gênese das crenças: o terreno biológico e psíquico

Para compreender as crenças limitantes na educação dos filhos, precisamos mergulhar na psicologia infantil e na biologia do trauma. O artigo publicado por Junia Denise Dlves-Silva e Fabio Scorsolini-Comin na PePSIC (2021) evidencia que as práticas educativas parentais não são isoladas; elas são o resultado de como nós, mães, fomos reguladas emocionalmente em nossa infância. Se fomos criadas em um ambiente onde o erro era punido com silêncio ou agressão, nosso cérebro mapeou que “falhar é perigoso”.

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Ao educar uma criança de 10 anos que está testando sua independência, essas conexões neurais antigas são disparadas. Não é apenas uma escolha consciente de ser rígida; é o sistema límbico reagindo a uma ameaça fantasmagórica. A ciência agora confirma, através da epigenética, que o estresse e os padrões de comportamento dos nossos ancestrais podem deixar marcas químicas em nossos genes, influenciando como respondemos aos nossos filhos hoje.

A sombra na maternidade

O psiquiatra suíço Carl Jung trouxe uma contribuição inestimável para este tema ao falar sobre o processo de individuação e a “Sombra”. Na educação, a sombra representa tudo aquilo que negamos em nós mesmas e que acabamos projetando na criança. Se você carrega a crença limitante de que “precisa ser forte o tempo todo”, verá a vulnerabilidade do seu filho de 8 anos como uma fraqueza irritante, em vez de uma necessidade de acolhimento.

Jung afirmava que “nada tem influência mais forte psicologicamente no ambiente infantil do que a vida não vivida dos pais”. Portanto, as crenças limitantes na educação dos filhos são, muitas vezes, os sonhos e as potências que nós, enquanto mães e mulheres, fomos impedidas de exercer. Quando limitamos nossos filhos com frases como “isso não é para você” ou “melhor não arriscar”, estamos apenas ecoando as paredes da nossa própria prisão interna.

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O impacto das crenças limitantes na educação dos filhos e a Deformação do Self

A profundidade dessa questão se revela quando analisamos a formação do “Self” da criança. Entre os 7 e 12 anos, o indivíduo está construindo sua base de competência. Quando o ambiente é saturado por crenças limitantes na educação dos filhos, a criança pode desenvolver o que o pediatra e psicanalista Donald Winnicott chamou de “Falso Self”.

Ou seja, para continuar sendo amada e aceita por essa mãe que opera sob o medo, a criança anula seus próprios desejos e talentos para se tornar o que a crença materna exige. Se a mãe acredita que “o mundo é um lugar perigoso e ninguém é confiável”, ela cria um filho ansioso, que vê ameaça em cada nova amizade na escola, impedindo-o de desenvolver a resiliência necessária para a vida adulta.

A anatomia das sombras: categorizando as crenças

Para que a quebra de ciclo ocorra, a mãe precisa nomear o “inimigo”. As crenças limitantes na educação dos filhos não são uma massa amorfa; elas possuem estruturas distintas que determinam como reagimos ao comportamento de uma criança de 7 a 12 anos.

1. Crenças hereditárias: o eco dos antepassados

Estas são as mais profundas, pois são aceitas como leis universais. “Criança não tem querer” ou “Cuidar de filho é padecer no paraíso” são exemplos de heranças que anulam a individualidade. O artigo da PePSIC (2021) demonstra que a aceitação acrítica desses dogmas familiares impede a mãe de enxergar as necessidades reais da criança, substituindo a conexão pela repetição mecânica de um roteiro falho.

2. Crenças pessoais: a cicatriz que se torna lente

Fruto de traumas vividos por nós, mães. Se você foi uma criança rotulada como “lenta” ou “difícil”, sua tendência será superproteger seu filho ou ser excessivamente exigente para que ele não sofra o que você sofreu. Aqui, a maternidade real se torna um campo de batalha contra o próprio passado.

3. Lógicas equivocadas: o erro de causa e efeito

O cérebro busca padrões, mas muitas vezes cria conexões falsas. “Se eu não for rígida agora que ele tem 11 anos, ele será um marginal no futuro”. A neurociência explica que essa lógica é equivocada porque o medo bloqueia o córtex pré-frontal — a área responsável pelo julgamento moral e controle de impulsos. Ou seja, ao educar pelo medo, você impede seu filho de desenvolver a própria ética.

4. Medos e desculpas: a estagnação confortável

“Sempre foi assim e eu sobrevivi” ou “Não tenho tempo para estudar sobre educação”. Estas são justificativas que o ego utiliza para evitar a dor do autoconhecimento. Como sugere a psicologia de Jung, é mais fácil culpar o temperamento da criança do que encarar a própria negligência emocional.

O impacto das crenças limitantes na educação dos filhos e a espiritualidade

A transformação profunda não ocorre apenas no intelecto, mas no espírito. A Bíblia antecipa conceitos que a neurociência levaria milênios para confirmar. Em Romanos 12:2, somos exortados: “E não vos conformeis com este mundo, mas transformai-vos pela renovação da vossa mente”. No original grego, a palavra para transformação é metamorphosis.

Destruir as crenças limitantes na educação dos filhos é, portanto, um processo de metanoia — uma mudança radical de mentalidade. Quando renovamos nossa mente, alteramos fisicamente as trilhas neurais do nosso cérebro (neuroplasticidade).

A fundamentação bíblica em Provérbios 18:21 reforça essa responsabilidade: “A morte e a vida estão no poder da língua”. Quando uma mãe, dominada por uma crença hereditária de escassez ou incapacidade, diz ao filho que ele “não faz nada direito”, ela está profetizando e construindo uma barreira invisível no futuro daquela criança. Nossas palavras são sementes; elas germinam no solo fértil do coração de uma criança de 7 a 12 anos, tornando-se as verdades que a guiarão na vida adulta.

Onde a ciência, a fé e a prática se encontram

Embora originadas em campos distintos, as teorias de Jung, os dados da PePSIC e os princípios bíblicos apontam para uma mesma urgência: a necessidade de uma educação que não se baseie no medo.

Enquanto Jung nos convoca a iluminar nossa sombra para não projetá-la nos filhos, e a ciência (PePSIC) nos prova que o afeto é o maior preditor de resiliência, a Bíblia nos oferece o fundamento da metanoia (Romanos 12:2). Nesse cenário, a Disciplina Positiva não surge como uma “doutrina”, mas como um conjunto de ferramentas que traduz esses conceitos complexos em ações. É o “como fazer” para a mãe que entendeu, pela fé e pela psicologia, que as crenças limitantes na educação dos filhos precisam ser substituídas por uma autoridade que ensina, em vez de apenas punir.

4 passos para o caminho da metanoia

citação_karinPetermann

A quebra de um ciclo geracional não acontece por acaso, nem por um simples desejo intelectual. Ela é fruto de um processo profundo de metanoia, ou seja, uma transformação radical da mente que altera o curso de uma vida. Para a mãe de crianças entre 7 e 12 anos, esse processo é o que permite separar quem você foi ensinada a ser de quem você realmente deseja ser como guia de uma nova alma.

Substituir as crenças limitantes na educação dos filhos por uma parentalidade fundamentada na verdade e na conexão exige coragem para olhar para as próprias feridas e disposição para reconstruir as trilhas do pensamento. Não se trata de buscar a perfeição, mas de abraçar a consciência que liberta tanto você quanto seu filho da herança do medo.

1. O diagnóstico do gatilho (autoanálise junguiana)

O primeiro passo é a vigilância. Sempre que você sentir uma reação desproporcional ao comportamento do seu filho — como uma raiva súbita porque ele esqueceu o casaco ou não estudou — pare e pergunte: “De quem é essa voz?”.

  • Ação: Identifique se a sua reação é fruto de uma Lógica Equivocada (medo do futuro) ou de uma Crença Hereditária (como seus pais reagiam). Escreva a frase que vem à sua mente: “Ele nunca vai ser nada na vida” ou “Eu não sou respeitada”.

2. O confronto com a realidade (evidência científica)

Pegue a frase identificada no passo 1 e submeta-a ao tribunal da lógica e dos dados. O artigo da PePSIC nos lembra que a resiliência vem do apoio, não da crítica constante.

  • Ação: Questione a veracidade da crença. “Meu filho de 10 anos esquecer o casaco realmente significa que ele será um adulto irresponsável?” ou “O cérebro dele ainda está em desenvolvimento e ele precisa de ajuda para organizar processos?”.

3. A substituição espiritual (confissão da palavra)

Aqui aplicamos Provérbios 18:21. Se a morte e a vida estão na língua, você deve “matar” a crença antiga e “dar vida” a uma nova instrução.

  • Ação: Crie uma Afirmação de Metanoia. Em vez de dizer “Meu filho é desatento” (rotulagem que gera crença), profetize: “Meu filho está aprendendo a ter foco e eu sou a guia que o ajudará nesse processo“. Você substitui a maldição do rótulo pela esperança da instrução.

4. A ferramenta prática (aplicação da disciplina positiva)

A metanoia se consolida no comportamento. Para crianças de 7 a 12 anos, a melhor ferramenta é o Envolvimento.

  • Ação: Em vez de punir baseada no medo (crença antiga), convide a criança para a solução. “Filho, percebi que você esqueceu seu material novamente. Como podemos criar um sistema para que você se lembre?“. Isso valida a capacidade do filho e destrói a sua crença de que você precisa controlar tudo para que ele funcione.

5. O ritual de quebra de ciclo

A mente precisa de marcos simbólicos.

  • Ação: Escreva em um papel todas as frases limitantes que você ouviu na infância e que ainda ecoam na sua educação. Ore por elas, perdoe seus pais (liberação emocional) e, fisicamente, desfaça-se do papel. Decida que, a partir de hoje, sua linhagem terá uma nova linguagem.

Quebrar um ciclo geracional é um ato de coragem que não precisa ser vivido na solidão.

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Você identificou alguma frase ou comportamento dos seus pais que ainda ecoa na sua forma de educar hoje? Reconhecer é o primeiro passo para a libertação. Compartilhe conosco nos comentários: qual crença você decidiu que não passará para a próxima geração? Sua história pode ser a luz que outra mãe precisa para iniciar a própria Metanoia.

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