Ao contrário do que muitas pessoas pensam, criança também sofre de depressão. Sempre se pensava que a depressão fosse um mal exclusivo dos adultos, mas sabe-se que hoje em dia afeta cerca de 2% das crianças e 5% dos adolescentes do mundo. Muitos usam a palavra depressão com grande liberdade, confundindo muitas vezes com uma tristeza ou quando se está passando por um problema específico. Mas depressão é uma doença grave, que requer atenção e tratamento, pois compromete a qualidade de vida do ser humano. Nos adultos é muito mais fácil ser diagnosticada, mas com as crianças é diferente. As crianças acabam por aceitar a depressão como um fato natural, se acostumam e passam a achar que é algo do seu jeito. Mesmo sofrendo, não conseguem distinguir que aqueles sintomas são resultado de uma doença e que os mesmos podem ser aliviados.

Como funciona a cabecinha da criança?

Devido aos aspectos naturais do seu desenvolvimento, a criança ainda não sabe nomear as próprias emoções, isso é algo que ela aprende aos poucos. Quando está deprimida, angustiada, ansiosa, estressada ou nervosa, ela não consegue dar significado para tais sentimentos/emoções, e depende do adulto para isso. Por isso, tende a somatizar o sofrimento e queixa-se de problemas físicos, porque é mais fácil explicar males concretos, orgânicos, do que um de caráter emocional.

Diante da realidade atual em que temos vivido, cercados pela tecnologia que nos aproxima virtualmente mas cada vez mais nos distancia fisicamente, muitas vezes não nos damos conta de como nossos filhos estão realmente se sentindo. Não se percebe que a criança está triste, desanimada, desmotivada, isolada, muito quieta e as vezes os pais interpretam como “bom comportamento”. Muitos adultos pensam que não existem justificativas pra uma criança ficar triste, afinal são crianças e que problemas elas podem ter ou estarem carregando? Mas enganam-se e muito, e as dificuldades que uma criança pode estar enfrentando passam despercebidos pelos próprios pais.

Como identificar a depressão na infância

O diagnóstico sempre deve ser feito por um especialista (médico ou psicólogo), mas pode se ficar atento a alguns dos sinais e sintomas que a criança pode apresentar:

  • Irritabilidade, humor depressivo, perda do interesse na maioria das atividades ou incapacidade de sentir prazer nelas (anedonia);
  • Semblante constantemente triste, sem aquele sorriso natural;
  • Choro constante e sem motivo aparente;
  • Dificuldade de raciocínio ou de concentração, baixa no desempenho escolar;
  • Falta ou excesso de apetite;
  • Queixas físicas: reclama sempre de dor de barriga, de cabeça ou nas pernas;
  • Diminuição ou aumento das necessidades de sono, dificuldades para dormir;
  • Ideias de culpa (a criança se sente culpada de algo que não fez ou, se fez, a culpa é exagerada) ou de menosvalia (excessiva desvalorização de si mesmo);
  • Diminuição da atividade psicomotora (ou seja, das ações motoras dependentes de estimulação mental);
  • Sensação de falta de energia;
  • Ideias de morte ou suicídio ou tentativas de suicídio.

Causas possíveis da depressão na infância

Várias são as causas que podem levar uma criança a depressão, como fatores genéticos, biológicos, sociais e familiares, sendo os problemas familiares um dos principais. Dificuldades conjugais, os problemas financeiros; a cobrança exagerada por parte dos pais e da sociedade em relação ao desenvolvimento da criança; a falta de contato e de vínculo afetivo positivo da criança com os pais; morte de um ente querido, maus tratos dentro da família; filho indesejado, filho somente de um dos pais; alcoolismo; ser vítima de bullying; entre outros.

É necessário atentar para o fato de que, quanto mais problemas de comportamento (sintomas) a criança apresentar, maior será a probabilidade de um desenvolvimento atípico, visto que a depressão poderá interferir nas atividades associadas à cognição e à emoção. Ocorre que, quando tal criança não é tratada a tempo, poderá desenvolver padrões de comportamento que se tornam resistentes a mudanças.

Como funciona o tratamento

 Para o tratamento é preciso à união do médico e psicólogo, pais e professores, pois cada um tem papel importante para os melhores resultados. Além destes, também outras pessoas que de alguma forma estão ligadas a criança podem contribuir com grande ajuda. Como toda depressão, um tratamento sempre começa com terapias, ficando os medicamentos em segundo plano para casos mais extremos.

A prevenção sempre é o melhor remédio, e ela passa pelo conhecimento da dinâmica familiar. Estimular a criança a brincar, participar de atividades recreativas e esportivas para que possa melhorar seu humor e manter contato com outras crianças também é uma orientação. É dever dos pais contribuir para que a depressão não aconteça nas crianças, ou que pelo menos sejam detectados possíveis sinais ainda no princípio, assumindo seu papel de responsáveis, dando atenção e carinho para seus filhos.

CRP 12/13845
Psicóloga Clínica, cursando Especialização e Pós-graduação em Psicodrama pela Locus – Florianópolis/SC.
Conta em seu currículo cursos e palestras nas áreas de Desenvolvimento Infantil, Neuropsicologia, Estresse e Psicologia. Atua com crianças, adolescentes e adultos em Jaraguá do Sul/SC. Realiza palestras e orientações para pais.