Olá mamães, como dia dois de abril é o Dia Mundial de Conscientização do Autismo, hoje irei compartilhar algumas informações sobre o Transtorno do Espectro Autista (TEA), ou como é conhecido, Autismo.

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A história do Autismo

Vou começar relatando um pouco da história do Autismo. Por volta dos anos de 1938, acreditava-se que o autismo estava dentro da esquizofrenia, por isso muitos autistas foram diagnosticados como esquizofrênicos, porém em 1943, o pesquisador Kanner apresentou a descrição Autismo, tendo o significado “Autos: voltado para si mesmo, por si só”. Na mesma época, Asperger descreveu a Síndrome de Asperger, com características autistas, mas sem comprometimento cognitivo. E a partir dessas pesquisas, surgiram mais e mais estudos, que ainda não cessaram, pois, esse transtorno apresenta uma variedade de causas e características.

O que é o Transtorno do Espectro Autista?

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A nomenclatura atual para o “Autismo” é Transtorno do Espectro Autista, pois o indivíduo apresenta um conjunto de sinais e sintomas, que seguem diferentes processos com diferenças em sua representação pessoal. (DSM-V)

É um transtorno do neurodesenvolvimento infantil, ou seja, há uma alteração neurológica que desorganiza seu desenvolvimento, apresentando déficits na sociabilidade, linguagem e nas atividades imaginativas. Estudos recentes mostram que o TEA está ligado com a defasagem nos circuitos sinápticos dos neurônios espelhos, que seriam nossos neurônios da imitação. Sendo esta, a forma com que nós aprendemos, os autistas apresentam dificuldades em imitar e, consequentemente, em aprender como devem se comportar e se comunicar.

Outras pesquisas, mostram que um dos fatores, que desorganiza o desenvolvimento neurológico, são as faltas de podas sinápticas, que ocorrem a partir dos dois anos e meio, necessárias para que o haja maturação neurológica em habilidades funcionais e cognitivas.

Explicando melhor, quando nascemos temos os neurônios com poucos circuitos sinápticos, conforme vamos sendo estimulados nossos circuitos vão aumentando, chegando em um número elevado de circuitos. Por volta dos dois anos o nosso cérebro precisa começar a fazer uma limpeza, jogando fora o que não é mais necessário, intensificando os circuitos importantes para o nosso desenvolvimento, essas são as podas sinápticas. Na figura abaixo segue a imagem de neurônios de um bebê, depois por volta dos dois anos e a outra imagem depois que já ocorreu a poda sináptica.

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Qual é a prevalência/ incidência?

Segundo o estudo da USP, a cada 200 pessoas, um tem o transtorno. Porém acredita-se que no Brasil, tem um autista a cada 110 pessoas. Sendo a incidência maior em meninos, de quatro meninos para uma menina.

Sinais e Sintomas?

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Frequentemente, os primeiros sintomas do TEA, estão ligados ao atraso no desenvolvimento da linguagem, geralmente acompanhado pela ausência de interesse social. Podem apresentar padrões estranhos de brincadeiras e padrões incomuns de comunicação. Abaixo segue alguns comportamentos comuns em crianças com TEA:

  • Não tem intenção de se comunicar;
  • Não verbaliza, ou só responde com palavras ou frases curtas, não esperadas mais para a idade.
  • Repete somente frases ouvidas;
  • Não mantém um diálogo;
  • Não faz contato ocular ao se comunicar;
  • Puxa as pessoas sem manter interação com elas, utilizando-as como objeto;
  • Não explora os brinquedos, só agrupa, ou não o utiliza com sua função;
  • Conhece o alfabeto, mas não responde o próprio nome;
  • Gosta de alinhar objetos;
  • Apresenta uma alimentação seletiva, comendo sempre a mesma coisa.

Lembrando que não é necessário apresentar todos os comportamentos para se enquadrar no Espectro Autista, ou apresentar déficits em todas as áreas (linguagem, socialização e comportamento), assim como, uma que criança que apresenta alguns desses comportamentos não necessariamente é autista.

Como é o diagnóstico?

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Para o diagnóstico do Transtorno do Espectro Autista, é necessária uma avaliação multidisciplinar, com profissionais de diferentes áreas (fonoaudiologia, psicologia, terapia ocupacional, psicopedagoga e neurologista ou psiquiatra), nesta avaliação observa-se:

– Como e quais são os sintomas;

– Quando começou;

– Como tem persistido ou evoluído;

– Com qual intensidade e frequência;

– Em quais ambientes apresenta esses sintomas.

Diante desses dados, e com a avaliação clínica, a partir dos três anos de idade, a equipe já consegue concluir se a criança se enquadra no TEA.

Qual é o tratamento?

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O tratamento depende do nível em que o indivíduo se encontra dentro do TEA, quais os déficits que ele apresenta e como tem evoluído sua habilidade cognitiva e funcional. A maioria dos casos, necessitam de terapias (fonoaudiológica, psicológica, psicopedagógica e com terapeuta ocupacional) e atendimento especializado educacional. Ainda alguns indivíduos necessitam de medicamentos, sendo receitados pelo médico neurologista ou psiquiatra. Como o Transtorno do Espectro Autista não é degenerativo, ao longo da vida, eles podem ir aprendendo e criando compensações que melhoram seu comportamento e comunicação.

Depoimento

Como sou fonoaudióloga, e trabalho em um Centro de Atendimento Especializado (também conhecido como APAE), atendo e convivo com indivíduos autistas, e diante do que que eu tenho observado, esses indivíduos necessitam de muita paciência e compreensão daqueles que os cercam. Por isso, se você se deparar com um autista, lembre-se que nem sempre ele vai apresentar um comportamento que a sociedade espera. Mas que devemos estar abertos para ensinar, respeitando seus limites e tentando compreender o que ele está sentindo.

Quero ressaltar, para vocês mães, que geralmente é muito difícil descobrir que seu filho é autista, mas tenham a certeza que Deus dá forças e discernimento diante dessas situações, tornando mães de autistas em “guerreiras”. Abaixo segue respostas de algumas perguntas que eu fiz para a mãe de um autista.

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  1. Quando e como percebeu que o seu filho não estava acompanhando o desenvolvimento típico de uma criança?

Só percebemos que tinha algo de diferente no nosso Andrei, aos 4 anos, no primeiro dia de aula, ele não queria ficar na escola de jeito nenhum, chegou ao ponto de procurar buracos pela cerca para fugir, e a tirar toda a roupa e ficar andando nu pela escola, e não interagir com nenhum colega.

  1. Como foi o diagnóstico? E o qual foi seu primeiro pensamento?

A própria escola procurou ajuda do psicólogo, então este mesmo psicólogo nos chamou para conversar, nós achamos que os números de atendimentos com o Andrei eram poucos e decidimos procurar uma psicóloga particular, que depois de uns 10 atendimentos nos encaminhou para um psiquiatra, que depois de 3 atendimentos nos deu o diagnóstico de Autismo. Foi um choque para nós, não sabíamos o que era Autismo.

O primeiro pensamento que nos veio em mente, era sobre o que nós tínhamos feito de errado, e porque tinha que ser com a gente. Enfim, tudo aquilo que sonhamos para o futuro do nosso filho foi desfeito naquele dia. Mas por outro lado nunca pensamos em fechar os olhos e fingir que o problema não existe. Por mais dolorido que tenha sido o diagnóstico, o sentimento de luto por tudo aquilo que se tinha sonhado até aquele momento, nós decidimos que faríamos de tudo para ajudá-lo a ser feliz.

  1. Qual conselho você daria para as mamães que estão diante desse diagnóstico de Autismo?

Não desistam de seus filhos nunca. Sei o quanto é difícil aceitar o diagnóstico, tenham sempre em mente que nós, pais, não somos culpados por isso, e que nossos filhos precisam e merecem nosso esforço, ajuda, compreensão. Eles podem nos surpreender de muitas maneiras, desde que sejam muito amados.

Quero ainda indicar esses dois vídeos que esclarecem de uma forma diferente o que é o Transtorno do Espectro Autista.

Menina revela pela primeira vez como é estar por trás dos olhos de um autista

Referências:

DSM-V, Diagnostic and Statistical Manual of Mental Disorders, 2013 – tradução: Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtorno Mentais

Mello, A.M. et al.; Retratos do Autismo no Brasil, 2013

Assumpção Jr., F.B. et al.; Escala de Avaliação de Traços Autisticos (ATA); Arq Neuropsiquiatria, 1999;57

Bacharel em Fonoaudiologia pela UFSC
Cursando Pós-graduação em Neuropsicopedagogia clínica pela UNILAS





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