A melhor parte de ser criança é poder brincar até cansar. Quem lembra que quando criança esperava ansiosamente pelo horário de verão para poder ficar na rua até mais tarde brincando com os amigos de esconde-esconde, taco ou de bola?

Grande parte da nova geração não está conhecendo o prazer de pisar na grama, tomar banhos de chuva e roubar goiabada do vizinho. Eu sei que roubar é feio, mas isso era coisa de criança arteira, criança que subia em árvore e voltava para casa toda arranhada. Criança que vivia a infância!

As crianças modernas nasceram compreendendo a tecnologia. Elas são muito espertas e encontram tudo que querem nas telinhas. Descobrem o mundo através da internet e são bem mais evoluídas de conteúdo. Outro dia conversando com uma amiga o filho dela queria muito uma coisa e ela respondeu que não, ele buscou no Google e argumentou com ele porque a escolha dele era a melhor. Surpreendente!!! Mas é assim que está sendo a infância.j6af4dxb

Para acrescentar, existem as agendas lotadas com atividades extracurriculares: xadrez, mandarim, robótica, judô, ballet, futsal e tantas outras atividades que planejam melhor a criança para o futuro profissional dela. Pais que querem oferecer para seus filhos tudo que eles não tiveram e sobrecarregam as crianças, não permitindo que elas tenham seu momento de não fazer nada e simplesmente brincar.

O brincar é tão importante que existem cidades que estão desenvolvendo brinquedotecas para que as crianças tenham interação com outras crianças. Ela foi criada para favorecer a brincadeira, segundo Cunha. É passível de compreender que em cidades como São Paulo, Belo Horizonte e Rio de Janeiro tais estabelecimento cada vez mais ganhem espaço, justamente pela violência, escassez de lugares arbóreos e agenda cheia de pais e crianças.

Num mundo no qual a infância tem sido assassinada com a adultização das crianças cada vez mais se torna importante a presença dos pais na base do lar. Para que um edifício seja construído com 20 andares, é preciso ter um alicerce bem fundamentado, com estacas cravadas profundamente no solo, somente assim esse prédio poderá resistir o excesso de peso e os ventos que surgirão no futuro. Da mesma forma é a criança, o brincar é o alicerce da sua vida adulta.

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Para os adultos isso parecer perda de tempo, enquanto, ao mesmo tempo, as melhores lembranças são as vivências da infância. É nos primeiros anos de vida que se consolida a personalidade da criança e é nas brincadeiras que surgem os melhores momentos educacionais para elas: compartilhar os brinquedos, aprender superar as frustrações da perda, negociação (nem sempre as crianças querem brincar do que o outro quer – entra a negociação: “agora brincamos disso e depois daquilo”), tolerância, respeito, aprende regras, desenvolve habilidades físicas como correr e pular.

O jogo também é uma forma da criança se expressar, por volta dos 5 anos começa a compreender o mundo da fantasia e se a família tem o hábito de criar estórias e possibilita a criança ajudar no desenrolar, pode-se descobrir e conhecer muito mais o que se passa dentro do seu coração: suas alegrias, tristezas e expectativas. Não é à toa que em consultórios de psicólogas infantis existem brinquedos lúdicos para que elas consigam entrar no mundo da criança e começar a ganhar sua confiança e desvendar sua história.

“Nas sociedades contemporâneas, normalmente os adultos envolvem-se nas brincadeiras infantis proporcionando ambientes adequados e brinquedos. Os benefícios de brincar para a fase pré-alfabetização podem ser reforçados com o provimento de papel, lápis de cor e letras de plástico. Os benefícios das brincadeiras físicas podem ser reforçados por aparelhos que promovam desafios de escalada. Brincadeiras criativas podem ser aprimoradas pela disponibilização de peças do tipo Lego que estimulem as atividades de construção criativa”. Peter K Smith, BA, PhD, Anthony Pellegrini, PhD

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Resumo

Finalizando, pode-se afirmar que o brincar é importante porque é educativo, pois auxilia as crianças no desenvolvimento de habilidades como leitura, escrita e matemática. Possibilita que se desenvolva socialmente através da interação com crianças da mesma idade aprendendo a respeitar e entender o outro, amplia a comunicação que tem por consequência o desenvolvimento da negociação e consenso.

Melhora sua percepção através das brincadeiras de “faz de conta” aprendem a imaginar e até mesmo resolvem os problemas dos personagens em questão. O brincar também é terapêutico, como citado acima, através das brincadeiras, ela pode se expressar, aprender a resolver suas frustrações e solucionar os conflitos internos.

Quando os pais dedicam algum tempo, diariamente, para sentar-se no chão e entrar na “onda” do filho, isso vai gerar nele segurança e a certeza de que é amado. Os pais terão o privilégio da companhia dos seus filhos, conhecerão seu mundo e deixarão se conhecer. Melhor de tudo, estarão oferecendo para eles uma infância rica em lembranças boas.

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Mãe do Cauê e da Catarina 🙂





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